A beleza de toda literatura

Eu pertencia às histórias dos personagens em meus livros; ao grupo de amigos que ela me proporcionou; pertencia ao mundo presente em todas as páginas que lia. Pela primeira vez, em minha vida, eu pertencia à algo. Eu era literatura, dos pés à cabeça. Através de um simples ato de folhear, dei a volta ao mundo em oitenta dias, viajei pela terra média, atravessei as brumas para chegar até Avalon, estive presa dentro de um castelo na Romênia, me encantei pela Londres Vitoriana, participei da Revolução Russa e vivenciei o período louco da geração perdida de Paris nos anos 20.

As almas que se cruzam mundo afora

Eles me estenderam a mão. Mal sabem que fizeram com que eu me conectasse com o país, com a cultura, com a alma deles. Eles não fazem ideia a diferença que um sorriso em meio à multidão faz, quando se está sozinho. Tampouco tem a noção do medo que passei para enfrentar alguns desses desafios por conta própria, e quão acolhedor foi ter recebido ajuda de completos desconhecidos. Mal sabem que dividir o peso da mala, tão somente faz bem para a coluna, mas também para o coração. E como é bom ser acolhida, de braços abertos, longe de casa.