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Mas tu vai sozinha?

“Tu não tem medo de viajar sozinha?”, “Nossa, viajar sozinha deve ser um tédio”, “Guria, tu é doida de viajar sozinha, né?”, “Por que tu vai sozinha?”. Ouço as mesmas coisas, todos os anos, desde o dia que resolvi conhecer o mundo. Viajo desde que decidi fazer intercâmbio aos 18 anos e conto com orgulho que dos 32 países em que já estive, 17 deles eu estava sozinha. A verdade é que, de tempos em tempos, eu sinto a necessidade de curtir a minha própria companhia. Nem sempre em outro país ou estado. Nem sempre em um lugar novo. É apenas algo que faço por mim e por mais ninguém.

A beleza de toda literatura

Eu pertencia às histórias dos personagens em meus livros; ao grupo de amigos que ela me proporcionou; pertencia ao mundo presente em todas as páginas que lia. Pela primeira vez, em minha vida, eu pertencia à algo. Eu era literatura, dos pés à cabeça. Através de um simples ato de folhear, dei a volta ao mundo em oitenta dias, viajei pela terra média, atravessei as brumas para chegar até Avalon, estive presa dentro de um castelo na Romênia, me encantei pela Londres Vitoriana, participei da Revolução Russa e vivenciei o período louco da geração perdida de Paris nos anos 20.

As almas que se cruzam mundo afora

Eles me estenderam a mão. Mal sabem que fizeram com que eu me conectasse com o país, com a cultura, com a alma deles. Eles não fazem ideia a diferença que um sorriso em meio à multidão faz, quando se está sozinho. Tampouco tem a noção do medo que passei para enfrentar alguns desses desafios por conta própria, e quão acolhedor foi ter recebido ajuda de completos desconhecidos. Mal sabem que dividir o peso da mala, tão somente faz bem para a coluna, mas também para o coração. E como é bom ser acolhida, de braços abertos, longe de casa.