Escola de Magia e Bruxaria do Brasil – evento lúdico de 4 dias em castelo para fãs de Harry Potter

Quem conhece um pouco da minha trajetória, sabe que parte da minha personalidade, meu amor por viagens e literatura dá-se através de Harry Potter. Li os livros ainda muito jovem, aos 10 anos, e eles moldaram e muito meu caráter. A  saga recebe crédito direto pelas minhas duas paixões e eis que anos depois, deu-me mais um amor para compartilhar. Quem leu o Sobre Nós do blog, sabe que a outra autora, a Patrícia, eu conheci através do mundo mágico, na Escola de Magia e Bruxaria do Brasil. Nossa amizade foi instantânea e tem seguido firme e forte durante este um ano e meio.

Por esse e outros tantos motivos, resolvemos criar este post para lá de especial, contando um pouco (mas com muito amor!) sobre nossa experiência de quatro dias no Castelo de Campos do Jordão.

6 livros para ler no inverno

É prazeroso ler em qualquer estação do ano, mas nada como o inverno e a combinação infálivel e clichê de estar enrolado nas cobertas, com um bom livro e uma xícara de chá ou chocolate quente ao lado. Pensando na minha estação preferida, compartilho dicas de livros com histórias de mistério, terror e fantasia que, de alguma forma, tornam meus dias gélidos e nublados de inverno mais reconfortantes. Confira:

A Sombra do Vento

Carlos Ruiz Zafón

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A história começa em 1945, numa Barcelona destroçada pela guerra civil espanhola. Durante a madrugada de seu aniversário de 11 anos, Daniel Sempere é levado por seu pai à uma biblioteca escondida no coração do centro histórico: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Cada pessoa que entra pela primeira vez neste lugar, tem a chance de levar consigo apenas um livro, com a promessa de mantê-lo protegido do esquecimento. Daniel é atraído por um título chamado A Sombra do Vento, de Julián Carax. Após lê-lo em menos de 24 horas, o garoto decide buscar por mais obras do autor, mas logo se depara com um mistério. Há alguém disposto a destruir Carax, queimando todos os seus livros, e o exemplar que tem em mãos, possivelmente, seja o único sobrevivente.

“Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos.”

O autor me conquistou pela riqueza de detalhes com que narra os lugares e pela complexidade de seus personagens. A Sombra do Vento é uma incrível homenagem aos livros. Zafón relata de forma poética a importância e o efeito que uma história pode causar na vida de alguém. Uma narrativa que nos remete à um clima sombrio e uma atmosfera gótica envolta por mistérios, perfeito para os dias frios de inverno.

Prisioneiros do Inverno: Alguns segredos nunca morrem

Jennifer McMahon

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Em 1908, Sara Harrison Shea foi assassinada brutalmente em sua propriedade, uma fazenda na zona rural da cidade de West Hall. Cem anos depois, nesta mesma casa, Ruthie, uma jovem de 19 anos, se vê responsável por sua irmã caçula, após o desaparecimento repentino de sua mãe. E apesar de não acreditar nos boatos que dizem que as terras em que vive é amaldiçoada, ela começa a mudar de ideia quando encontra o diário de Sara.

Há inúmeros segredos, mistérios e passagens extremamente obscuras em os Prisioneiros do Inverno. Confesso que senti um certo desconforto em lê-lo a noite. No entanto, as páginas fluem e nem percebemos o tempo passando. O livro já entrou pra lista de favoritos do gênero e recomendo fortemente à todos que gostam de uma boa história de suspense e terror.

“A loucura é sempre uma desculpa maravilhosa […] Para fazer coisas terríveis com os outros.”

O Circo da Noite

Erin Morgenstern

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Celia tem apenas cinco anos de idade quando seu pai, o mágico Hector Bowen descobre seus poderes obrigando-a passar por treinamentos absurdos, como cortar as pontas seus dedos para que se cure sozinha. Ele acredita que a melhor forma de aprendizado é quando a pessoa nasce com o dom, enquanto seu antigo rival, Alexander H., acredita que não importa se a pessoa possui ou não poderes, mas sim seu empenho e dedicação nos estudos ao longo dos anos. Sendo assim, com seus pensamentos distintos, os mágicos resolvem criar uma aposta. Alexander adota Marco para ser seu pupilo e duelar com Celia em algum momento de suas vidas, no Circo da Noite.Os anos se passam e os jovens acabam se encontrando e se apaixonando, no entanto nenhum dos dois conhece as regras, tampouco quando e como será definido o ganhador.

O livro me conquistou por sua capa maravilhosa e me ganhou logo nas primeiras páginas pela escrita fluida e original da autora. Uma experiência única, que despertou em mim a nostalgia da infância. Por incrível que pareça, pude sentir o cheiro de algodão doce e de caramelo ao longo das páginas. As descrições de Erin Morgentern nos fazem entrar de fato em O Circo da Noite.

“Os mais finos prazeres são sempre os inesperados.”

O Assassinato no Expresso do Oriente

Agatha Christie

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Em uma viagem à Londres, pouco depois da meia-noite, o Expresso do Oriente para nos trilhos por conta de uma nevasca. Na manhã seguinte, o corpo de um dos passageiros é encontrado morto com doze facadas, preso em sua cabine trancada por dentro. Poirot decide tomar o caso, para que possa solucioná-lo antes que o criminoso volte a atacar. A autora lança diversas dicas ao recorrer do livro, mas que ainda assim, o leitor só irá compreender de fato o que aconteceu, em suas últimas páginas.

O Assassinato no Expresso do Oriente é o meu livro favorito da Rainha do Crime. O tipo de história que você não consegue parar de ler, e que quando pensa que finalmente descobriu a solução, a autora lança uma reviravolta nos provando o contrário. Para aqueles que, assim como eu, amam histórias policiais que nos fazem analisar cada gesto e palavra dita pelos personagens, não tenho dúvidas de que esta será uma excelente companhia para seus dias de inverno.

“O impossível não pode ter acontecido; portanto, o impossível deve ser possível apesar das aparências. (…) Não se pode fugir dos fatos.”

O Palácio de Inverno

John Boyne

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O livro se passa na gélida Rússia, e resgata momentos marcantes de sua história: a Revolução Russa e a queda do czarismo. A trama é narrada em primeira pessoa por Geórgui Jachmenev, intercalada em momentos distintos de sua vida. 1915, Geórgi é nomeado guarda costas do filho do Czar, Alexei Romanov, após um ato heroico de sua parte, salvando a vida do grão-duque. E em 1981, já um senhor de idade, amargurado, aposentado e vivendo na Inglaterra, passa por um período muito difícil do qual sua esposa, a mulher de sua vida, está internada em estado terminal. O autor opta por narrar iniciando nos extremos, enquanto a história de Geórgui jovem avança, Geórgui idoso regride, indo uma de encontro à outra, até chegar ao ápice da leitura, na data em que ambos ‘’ se encontram’’.

A história dos Romanov’s sempre me despertou interesse e talvez o motivo tenha sido Anastásia, a minha animação favorita quando criança. Boyne nos apresenta personagens fictícios, misturados a famosas figuras históricas. Sua escrita consegue transformar acontecimentos tediosos de livros didáticos em um romance histórico de tirar o fôlego.

“Na verdade, não trouxéramos absolutamente nada de nossa antiga vida, e tinhamos apenas um ao outro. Mas isso, a meu ver, certamente bastava.”

As Brumas de Avalon

Marion Zimmer Bradley

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As Brumas de Avalon é uma série composta por quatro livros, que recontam as lendas do Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, sob uma perspectiva feminina. A história é narrada em terceira pessoa na maior parte do tempo, com exceção de algumas passagens em que Morgana expressa seus pensamentos. O livro conta desde a conquista de Viviane, Senhora de Avalon, ao colocar no trono da Grã-Bretanha alguém que respeitaria os valores dos antigos povos, até sua ruína. Diferente de outras histórias do Rei Arthur, Marion Zimmer Bradley deixa as lutas em defesa da Bretanha como segundo plano. O embate cristianismo versus paganismo, a fé cega e a maneira com que ambas as religiões manipulam as pessoas é o tema central da história.

“Mas até o mais longo dos dias caminha para o pôr-do-sol.”

O meu livro favorito da lista e ouso dizer que está entre os cinco melhores lidos na vida. A forma com que a autora reconta a lenda, saindo do campo de violência das batalhas, tornando-a mais sensível, envolta a uma esfera de magia e mistério, é o que mais me encanta. Seus personagens extremamente bem desenvolvidos, como Morgana, minha preferida, enriquecem ainda mais a saga. Sem dúvida, uma leitura inesquecível para o inverno.

Para quem quiser aproveitar o restinho do inverno e deliciar-se com mais livros, a Maria Luiza, do blog Dicas de Malu, participou da Maratona Literária de Inverno 2017, criado pelo Canal Geek Freak, e fez um post fresquinho com as resenhas de suas leituras do mês de julho. Confira aqui.

Tour aos castelos do Loire Valley na França

Na minha humilde opinião, Loire Valley é um “must-do” se você tem mais de 7 dias na França. A região está localizada a cerca de 150km de Paris, e conta com aproximadamente 1.000 Chateaux (castelos ou palácios). Alguns deles, pequenos e privados, outros grandes e abertos ao público.

São paisagens de tirar o fôlego, em meio a vinhedos, castelos que parecem ter saído de contos de fada (alguns até mesmo inspirados neles), com arquiteturas belíssimas e uma história extremamente rica. Tornando o lugar uma atração imperdível e uma lástima para quem perde a chance de visitá-lo.

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Château d’Azay-le-Rideau

Eu realizei o passeio em meados de janeiro, período de inverno. O tempo não era tão propício à visita, pois fazia muito frio. Porém, pude desfrutar do silêncio que tomava conta dos jardins e dos cômodos de seus castelos e palácios, completamente vazios. Era uma paz!

Contratei a agência Quart de Tours, que oferecia um preço justo considerando a época em que estava visitando. A procura durante o inverno é tão baixa, que pagamos metade do valor que custaria em alta temporada. Mas ainda assim, essa não foi, nem de longe, a melhor parte. Estávamos sozinhas: minha prima, a guia/motorista da van e eu. Pudemos escolher quanto tempo queríamos ficar em cada castelo. E como se já não bastasse a nossa sorte, após a guia descobrir que éramos brasileiras, nos contou que havia passado uma temporada no Brasil e que falava nossa língua também. Sendo assim, optamos pelo tour em português, já que a Cíntia, minha prima, não falava inglês fluente.

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Vista do carro durante o passeio

O passeio foi, de fato, espetacular e superou minhas expectativas.  Há muito queria conhecer os castelos de Loire Valley. Portanto, mesmo com um preço alto, decidi realizar o tour.

Quanto

Gastamos um total de €85.  O tour custou €55 euros, para cada, com a agência Quart de Tours (valor com desconto para baixa temporada). O trem de Paris para Tours custou €30 euros, ida e volta (valor com desconto para jovens de 12-25 anos).

Pontos turísticos

Durane o tour foi possível visitar quatro châteaux: Villandry, Azay-le-Rideau, Chambord e Cheverny. Ele iniciou às 09h30min e retornamos às 17h30min. Vale lembrar que só foi possível visitar quatro castelos, por conta da baixa temporada, da inexistência de filas e pelo fato de termos cortado nosso tempo de almoço. Durante o verão, geralmente, são visitados apenas dois castelos, com tempo de almoço em algum restaurante típico da região.

Como ir

O trecho Paris – Tours é bastante frequente. A cada 40 minutos parte um trem da estação Gare Montparnasse para o centro de Tours. Você pode realizar a reserva por aqui. O trecho costuma ter entre 1h e 2h de viagem, dependendo do trem que escolher. A estação fica no centro da cidade, há duas quadras do Centro de Informações Turísticas, ponto de encontro de onde saiu o tour.

Azay-le-Rideau

O Château d’Azay-le-Rideau, localizado a apenas 10km de Villandry, foi construído entre 1518 e 1527, exemplo clássico do Renascimento francês. Edificado sobre uma pequena ilha do rio Indre.

Não há como negar a beleza e imponência do Chambord, o mais famoso do Vale e que inspirou o castelo de A Bela e a Fera. Ainda sim, o Château d’Azay-le-Rideau foi meu favorito entre os quatro e assim como todos que visitamos, também estava completamente vazio. A única pessoa que vimos foi a moça que estava coletando os passes para entrada e cuidando da lojinha de lembranças na entrada/saída dele.

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Um diamante facetado colocado no Indre.Balzac

O castelo está localizado em uma cidade pequena com um centrinho lindo. As árvores majestosas no jardim pequeno e romântico do castelo completavam o cenário, deixando-o ainda mais encantador.

Seguimos a pé uns metros, e a cidade tinha o mesmo cenário que todos os locais que visitamos: vazios.

Chambord

O Castelo de Chambord, ou Gigante de Pedra como é carinhosamente chamado, é um dos mais conhecidos castelos do mundo devido à sua distinta arquitetura. Embora seja o maior palácio do vale do rio Loire, foi construído apenas para servir de pavilhão de caça para Francisco I de França, que mantinha a sua residência no Château de Blois. Tristemente, o rei passou lá apenas sete semanas no total, englobadas em curtas visitas de caça.

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O castelo foi construído em apenas 20 anos, finalizado em 1539. Para se ter uma ideia de sua imensidão, ele conta com cerca de 430 salas, 77 escadarias, 282 chaminés e 800 colunas esculpidas. Há também a escadaria principal, que de longe, é o local mais intrigante do châteaux. Ela fica no centro do palácio, branca, feita com um vão livre ao meio, entre a descida e a subida, em espiral. O efeito causado é que se uma pessoa está subindo e outra descendo, elas não se encontram, tampouco se veem.

Era um dia nublado e durante a visita começou a chover. No entanto, apesar do belo banho de chuva, não deixei de conhecer nada. (o óculo de sol serviu para tapar o rímel borrado!).  Eu diria que duas horas é um bom tempo para visitar o castelo em si e subir até suas belas torres. Como ainda queria conhecer mais um, fizemos o tour durante 1h30min.

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Villandry

Localizado a apenas 15km de Tours, o Castelo de Villandry foi construído em 1500 as margens do Rio Loire na época do Renascimento. No início do século XX foi comprado por Joachim Carvallo, bisavô dos atuais proprietários, que o restaurou completamente.

Confesso que foi o que menos gostei, porque a maior beleza deste castelo deve-se aos jardins, que estavam mortos durante o inverno. Ele estava completamente vazio. Avistamos apenas um jardineiro molhando algumas plantas enquanto o visitamos. Eu não consigo nem imaginar a beleza que deve ser esse jardim durante a primeira ou verão.

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Cheverny

O Palácio está localizado a apenas 18km do Chambord e foi construído entre 1624 e 1630. Diferente do Gigante de Pedra, que pertenceu à realeza, Cheverny sempre foi uma propriedade privada. Depois de ter muitos proprietários, em 1914, ele retornou à família que o construira, os Hurault. Desde então, o palácio está aberto ao público.

A família habita até hoje o terceiro andar do Château de Cheverny, e os demais andares abertos à visitação, apresentam magníficos interiores, quer pela sua coleção de objetos de arte e de tapeçarias, ou pelas mobílias clássicas. Além disso, Cheverny abriga cerca de 120 cães de caça Hound, e são organizadas regularmente caçadas de veneria (caça a cavalo com auxílio de cães).

Apesar de ser pequeno aos olhos de quem recém havia visitado Chambord, ele possui um charme inegável. Os jardins, mesmo no inverno, estavam verdes. O cheiro de grama recém cortada invadia os jardins, e a chuva caia levemente enquanto finalizávamos nosso tour incrível pelo vale.

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Ao voltar para Paris, nosso trem atrasou cerca de duas horas, pois havia ameaça de bomba na estação Gare de Montparnasse. Felizmente, tudo correu bem e no dia seguinte ao passeio eu retornei ao Brasil mais feliz do que nunca. Eu havia conhecido os castelos que tanto sonhara em conhecer, e não havia como negar que tinha sido a forma perfeita de encerrar meu mochilão de 40 dias pela europa.

Se tiveres mais de 7 dias em Paris, existem outros locais próximos a capital francesa para conhecer, além do Vale do Loire. O blog Diário de Navegador tem dicas de 13 lugares para conhecer partindo de Paris. Confira! 

5 livros inspiradores para quem ama viajar

Existem livros que vão muito além de entretenimento. Eles nos fazem refletir sobre quem somos, despertando o desejo de conhecer novos lugares, de compartilhar experiências, motivando-nos a explorar nossos próprios limites. A viver com mais verdade, intensidade e a estar próximo de uma vida mais plena.

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Eu só ando por dentro de mim; se fui em outro lugar foi para me ver. Manoel de Barros

Pensando nisso, confira a seguir 5 livros inspiradores à todas as almas itinerantes que buscam autodescobertas:

On the Road

Jack Kerouac

De acordo com a primeira versão publicada, On the Road foi escrito por Jack Kerouac em apenas três semanas, a base de benzedrina – uma droga estimulante. Considerado a ‘’Bíblia dos Hippies’’, o livro influenciou Bob Dylan a fugir de casa e Jim Morrison a fundar The Doors. Contribuiu também para a formação do movimento Beat, originado em meados dos anos 50. Do qual, jovens intelectuais tinham como objetivo se expressar livremente, escrevendo compulsivamente,  geralmente movidos por álcool, drogas, sexo e jazz. A obra é narrada por Sal Paradise, um aspirante a escritor, que certo dia conhece Dean Moriarty, um jovem andarilho que compartilha do mesmo amor por literatura e vontade de correr o mundo. Sal e Dean se tornam grandes amigos e decidem cruzar os Estados Unidos de carro, conhecendo os mais diversos tipos de lugares e pessoas. On the Road marcou uma geração, e continua até hoje sendo o tipo de história que inspira todos aqueles que possuem espirito aventureiro.

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Mapa das viagens de Jack Kerouac e seu amigo Cassady, que serviram de inspiração para On the Road

Devorei o livro em apenas dois dias e não recomendo que faça o mesmo.  Apesar de cansativa, a obra é incrível. Portanto, leia com calma! Saboreie! Jack Kerouac possuía um fluxo de pensamento extremamente caótico, e se o leitor não parar para respirar, muito provavelmente – assim como eu – se sentirá exausto ao terminá-lo.

Mundo por Terra – Uma fascinante volta ao mundo de carro

Roy Rudnick e Michelle Weiss

O livro é narrado por Roy Rudnick, que inspirado por uma conversa com um desconhecido em Curitiba, decide não adiar mais seus planos e sonhos, convencendo sua namorada Michelle Weiss a largar tudo para viajar de carro pelo mundo. Após um planejamento minucioso, desde o roteiro até a reforma do carro, o casal segue rumo ao desconhecido por quase três anos, conhecendo 60 países. O relato nos faz sentir como se estivéssemos dentro do carro, conhecendo os costumes, a cultura e cada pedacinho dos lugares que eles visitam.

Para quem tiver interesse em continuar acompanhando o casal após a leitura, Roy e Michelle possuem um site no qual compartilham suas viagens, histórias e fotografias incríveis. Confira:  http://www.mundoporterra.com.br/

A Volta ao Mundo em Oitenta Dias

Júlio Verne

Um dos grandes clássicos da literatura mundial, publicado pela primeira vez em 1873. A história narra a vida pacata de Phileas Fogg, um cavalheiro inglês, culto, rico, que possui uma rotina regrada e sistemática. Um belo dia, motivado por uma aposta no Reform-Club, – ambiente destinado a nobres cavalheiros da sociedade inglesa – é desafiado por seus amigos a dar a volta ao mundo em nada menos que 80 dias. Sendo que o menor dos atrasos colocaria a perder toda sua fortuna. Dando início a jornada, Sr. Fogg parte naquela mesma noite, levando consigo seu novo criado, Passepartout. A obra aborda um tema bastante recorrente na vida de muitas pessoas: A monotonia, o estilo de vida mecânico, o medo de tudo que é novo e a falta de iniciativa e coragem até para tomar as decisões mais simples do cotidiano. Júlio Verne nos proporciona ricas referências da época, descrições detalhadas de lugares, personagens carismáticos e envolventes. Uma aventura narrada com senso de humor, cheia de reviravoltas, suspense, um final nem um pouco previsível e extremamente bem elaborado.

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Roteiro de Phileas Fogg

A Volta ao Mundo em 80 dias é o meu livro favorito de Júlio Verne.  Caso queiram tornar a experiência ainda mais rica, sugiro buscar ao longo da leitura os conceitos básicos de geografia, como a compreensão de coordenadas. Acompanhar a viagem consultando o mapa do mundo nesta minha última releitura acabou tonando a história muito mais interessante.

Mar sem Fim

Amyr Klink

No dia 31 de outubro de 1998, Amyr Klink deixa sua mulher e filhas, partindo de Paraty rumo à viagem da qual sabia que seria o maior projeto sua vida. A primeira volta ao mundo, sozinho em alto mar, circunavegando a Antártica por 141 dias. Um percurso considerado o mais perigoso e jamais feito antes por nenhum outro navegador, desafiador mesmo com os equipamentos mais sofisticados de navegação. Após diversos obstáculos e uma tempestade que parecia não ter fim, Amyr consegue concluir seu objetivo com sucesso.  Entre os temas abordados estão a solidão, o medo e a resiliência. Nenhum deles tornou o relato tão inspirador para mim, quanto o foco e a força de vontade do autor.

Um homem precisa viajar, por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros e tevês, precisa viajar, por si, com os olhos e pés, para entender o que é seu. Amyr Klink

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Rota da circunavegação feita por Amyr Klink

Na Natureza Selvagem

John Krakauer

O livro surgiu em decorrência a uma reportagem que o jornalista John Krakauer escreveu para uma revista em 1992, sobre um jovem de 24 anos, encontrado morto no Alasca dentro de um ônibus enferrujado. O jovem, Christopher McCandless nasceu em uma família rica e teve uma criação privilegiada. No entanto, desde muito cedo já se mostrava fora dos padrões impostos pela sociedade de consumo norte-americana. Após realizar o sonho de seu pai, em vê-lo formado em Direito, Chris decide abandonar sua família, doar todo seu dinheiro à uma instituição de caridade, mudar de nome e seguir sozinho para o Alasca. A narrativa aborda temas como: as consequências do abuso familiar, a relação com a natureza e a reflexão de o que é a liberdade e qual seria o seu preço. Sobre estar sozinho, mas não pela perspectiva da solidão que nos remete a tristeza, e sim, do ponto de vista da solitude, e o prazer da própria companhia.  A paz de espírito quando descobre-se que está tudo bem em ser exatamente quem você é.

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Chris McCandless se despedindo, em sua última foto sob o céu do Alasca

…estava em paz, sereno como um monge que se entrega a Deus. John Krakauer

De todos citados na lista, Na Natureza Selvagem foi o livro que mais abalou com o meu emocional.  Para mergulhar de cabeça na leitura, indico fortemente que leia ao som da trilha sonora incrível do filme, composta por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam. Confira: https://youtu.be/KQBnBDH8sI8

9 cachoeiras para conhecer perto da capital gaúcha

Como amante de natureza desde que me conheço por gente, cresci passando minha infância em um sítio próximo à cidade de Taquara, no interior do Rio Grande do Sul. Minha paixão por cachoeiras, seja para apenas conhecer ou tomar banho, é um caso de amor muito antigo, e sempre que tenho oportunidade aproveito para conhecer um local novo.

Portanto, caso assim como eu, queira fugir das grandes multidões e da poluição da cidade, sem ir muito longe da capital, apresento uma lista das 9 cachoeiras ou parques para conhecer no Rio Grande do Sul:

Cascata das Andorinhas

Rolante

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A cachoeira tem apenas 15m de altura, e é protegida por um paredão em forma de ferradura, lembrando uma caverna.

Onde

Localizada há aproximadamente 100km de Porto Alegre, entre os municípios de Rolante e Riozinho, ambas no Vale do Paranhama. Mais precisamente, está há 20km do centro de Rolante.

Como chegar

A melhor forma de chegar é pela BR-116, e em seguida a RS-239. É necessário percorrer quase 20km de estrada de chão batido em bom estado, desde o centro de Rolante. Após, uma caminhada de 1,5km de trilha leve em meio à natureza.

Quando ir 

A cachoeira é incrível em qualquer época do ano, porém é melhor evitar vistá-la após longos períodos de chuvas, pois em algum momento da trilha, é preciso atravessar o rio.

Reserva Ecológica Família Lima

Sapiranga

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A Reserva possui cinco quedas da água que formam piscinas naturais onde é possível tomar banho de cachoeira, tudo isso localizado em um paraíso ecológico onde você pode apreciar as belezas naturais da Mata Atlântica.

Onde

Localizada na Vila Picada Verão, em Sapiranga, cidade da região metropolitana de Porto Alegre.

Como chegar

O acesso mais curto é via a cidade de Dois Irmãos (com 9 Km em estrada de terra). Vá pela BR 116 até a entrada principal de Dois Irmãos (entrada Norte), entre pela Av. Irineu Becker até o final, dobre à esquerda na Av. São Miguel até o final (existe placas indicando Balneários).  Vá na direção da Vila de Picada Verão e siga as placas da Reserva Família Lima. São 9 km até a Reserva. Estrada de terra em boa conservação.

Quando ir 

Aberto todos os dias das 8h às 16h30min (com permanência permitida no local até as 18h). Recomendo fugir dos feriado e finais de semana. O local ficou bastante conhecido nos últimos anos e costuma encher bastante. Ingresso por pessoa: R$16,00. Somente em dinheiro.

Mais informações: http://www.reservafamilialima.com.br

Cachoeira dos Venâncios

Cambará do Sul

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A cachoeira possui quatro quedas d’água, que proporcionam um momento único de relaxamento. O local é muito bem conservado. Para chegar, é necessário uma trilha curta (boa parte pode ser realizado de carro) com um visual lindíssimo dos campos de cima da serra.

Onde

Localizada há 23km do centro de Cambará do Sul, na Fazenda da Cachoeira.

Como chegar

A propriedade, apesar de pertencer a Jaquirana, fica mais próxima ao centro urbano de Cambará do Sul. A partir de Cambará, são 8 km de asfalto rumo ao sul pela RS-020 até a entrada para a estrada que liga a Jaquirana. A partir daí são cerca de 13 km em estrada de chão. Há placas sinalizando a entrada do local. Coordenadas: -29.024341 -50.266193

Quando ir 

Se for com a intenção de tomar banho, sugiro que busque informar-se da previsão do tempo e escolha os dias mais quentes da capital Gaúcha. Pois mesmo durante o verão, as temperaturas em Cambará raramente ultrapassam os 25 graus. É válido lembrar também, que durante o inverno, por conta das temperaturas negativas, será possível somente a visitação.

Cascata das Andorinhas

Cambará do Sul

A Cascata das Andorinhas possui 300 metros de queda e é uma das mais fantásticas que já vi. Porém, por estar localizada no Cânion Itaimbezinho, não é possível tomar banho.

Onde

A cascata fica próxima ao Centro de Informações, na entrada do Parque Nacional dos Aparados da Serra, em Cambará do Sul. Ela é vista frontalmente a partir do primeiro e do terceiro mirantes da Trilha do Vértice.

Como chegar

no Centro de Cambará do Sul, na avenida principal, dobrar à direita na Estrada do Itaimbezinho (RS427). São 18km de estrada de terra até a entrada do Parque.

Quando ir 

O parque está aberto durante todo o ano, diariamente das 8h às 17h. Recentemente, o governo estadual encerrou a ajuda ao Parque. No momento, os moradores de Cambará do Sul estão se revezando e mantendo o parque aberto e limpo através de trabalho voluntário. Faça sua doação à esse grupo na entrada do parque. Toda ajuda é bem-vinda!

Dica especial: O centro de visitantes conta somente com banheiros e bebedouros. Ou seja, não há lanchonetes nem restaurantes no Parque. Portanto aconselho que leve seu lanche e garrafa de água.

Mais informações: http://www.icmbio.gov.br/parnaaparadosdaserra/guia-do-visitante.html

Cascata do Caracol

Canela

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Cascata do Caracol (por Um Pouquinho de Cada Lugar)

A Cascata do Caracol é um dos pontos turísticos mais visitados da Serra. Com mais de 130 m de queda livre, a cascata pode ser observada do mirante ou, para os mais corajosos, bem de perto, descendo os exatos 927 degraus da escadaria. Acredite, a paisagem ao fim da descida vale todo o esforço! O parque ainda conta com trilhas bem sinalizadas para caminhadas, churrasqueiras e um bondinho muito bacana.

Onde

Localizada há 130km de Porto Alegre, na Serra Gaúcha, na cidade de Canela.

Como chegar

Via BR-116, entrar na RS-239. Na cidade de Taquara, pegar o viaduto à esquerda em direção à Três Coroas, na RS-115. Seguir por cerca de 60km pela RS-115 até o Parque.

Quando ir 

o Parque está aberto diariamente das 9h às 18h. O valor do ingresso para adultos é de R$18,00.

Mais informações: http://www.canelaturismo.com.br/roteiros-e-atrativos/parque-do-caracol/

Cachoeira da nascente do Rio dos Sinos

Caará

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A nascente do rio conta com três cachoeiras, acessadas por trilhas que exigem um esforço médio. A primeira é bastante pequena, e leva cerca de 10min para chegar até lá. Após cerca de uma hora de caminhada à passos longos, encontra-se a segunda cascata, que tem 20 metros de altura. A última cachoeira, a cerca de 40 minutos de caminhada da segunda, é a que mais impressiona. Com cerca de 100 metros de altura, tem águas bem geladas e um visual que compensa todo o esforço para chegar até lá. É difícil descrever a sensação que temos ao chegar ao local. Pensar que é possível beber a água do Rio do Sinos, sem qualquer tratamento. Lugar esse, que nada lembra os locais mais poluídos do Rio, como em São Leopoldo.

Onde

Localiza-se há cerca de 100km de Porto Alegre, na cidade de Caraá.

Como chegar

Leva cerca de 1h30min de carro desde a cidade de Santo Antônio da Patrulha, com a maior parte do trajeto realizado em estrada de terra. As ruas de chão batido, em geral, estão em bom estado. Veja como chegar à partir de Santo Antônio da Patrulha aqui: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=9938738

Quando ir 

O local é muito procurado por ambientalistas, estudantes e amantes da natureza em geral. Dessa forma, em finais de semana e feriados ensolarados, é possível encontrar muita gente fazendo o percurso. Após a segunda cachoeira a trilha torna-se bastante íngreme, mas não se preocupe, pois existem cordas para auxiliar a subida. Se houver qualquer dúvida durante o trajeto, lembre-se: siga sempre rio acima, direção contrária do fluxo da água.

Parque 8 Cachoeiras

São Francisco de Paula

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O Parque 8 Cachoeiras é um lugar privilegiado com 130 ha de mata atlântica virgem intocável, com vales, cerros e cachoeiras, além de uma enorme variedade de animais silvestres.

Onde

Localiza-se em São Francisco de Paula, há 120km da capital gaúcha

Como chegar

Via BR-116 e RS-239. Em Taquara, acessar à RS-020 e seguir por cerca de 40km. Ela está 2,5km distante do Lago São Bernardo, ponto turístico da cidade. O acesso é parcialmente pavimentado, são apenas 800m de estrada de chão batido. 

Quando ir 

Aberta diariamente das 8h30min as 18hrs. Valor do ingresso: R$ 20,00.

Mais informações: http://www.parque8cachoeiras.com.br/

Parque das Cascatas

São Francisco de Paula

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São 54 hectares de área, com espaços privilegiados junto à natureza, além de diversas trilhas ecológicas em locais preservados. O Parque é belíssimo, e conta com pousada e camping para quem decide estender a visita.

Onde

Localizado há 192km de Porto Alegre, em Lajeado Grande, no município de São Francisco de Paula.

Como chegar

Via BR-116 e RS-239. Em Taquara, acessar à RS-020 e seguir até São Francisco de Paula. A cidade é uma das maiores em extensão do Rio Grande do Sul, dessa forma, do centro da cidade até o Parque, ainda é necessário percorrer 78km. Após passar pela cidade, continuar pela RS-020 até Tainhas. Em seguida, dobrar à esquerda na RS-453 (Conhecida também como Rota do Sol). No trevo de Lajeado Grande, dobrar à direita na RS-476. Logo após a Estação Rodoviária de Lajeado Grande, dobrar a esquerda. Seguir as placas indicadas nessa estrada até o Parque das Cascatas.

Quando ir 

Aberto diariamente das 8h às 20h. Por ter piscinas externas, naturais e cachoeiras, boa parte dos visitantes escolhe o verão para curtir o local. O parque conta com infra-estrutura completa incluindo banheiros, churrasqueiras e restaurante. Valor do ingresso: R$ 20,00 (somente em dinheiro).

Mais informações: http://www.parquedascascatas.com.br

Cascata do Garapiá

Maquiné

cascata do garapiá maquiné soul do mundo

Maquiné é conhecida por suas cascatas, mata nativa e trilhas diversas. Infelizmente, apenas duas das 10 cachoeiras do município, são abertas para visitação. A mais famosa é a Cascata do Garapiá, com 12 metros de altura, está localizada em uma propriedade particular. São necessários 15min de trilha leve para chegar até ela.

Onde

Há 130km de Porto Alegre, na cidade de Maquiné.

Como chegar

Via RS-290, seguindo até a BR-101. Pegar a rodovia RS-484 e seguir até cruzar o distrito de Barra do Ouro. Entrar a direita na ponte que atravessa o Rio Forqueta (logo após a placa Pousada Baite della Luna). Seguir pela estrada, até o Camping e Pousada Pico da Galera. Dobrar a esquerda logo em seguida. Seguir por cerca de 3km até o início da trilha da cascata. Há placas escritas à mão no local. Coordenadas: -29.504575, -50.239340

Quando ir 

Aberta todos os dias da semana. Porém, sem permissão para acampar. No verão, durante os finais de semana, costuma encher bastante. O melhor horário para visitação é das 8h às 16h, pois é quando o sol ainda ilumina o local.

A Livraria Mágica de Paris

 

 

 

resenha a livraria mágica de paris soul do mundo 2
“Ler é uma viagem sem fim. Uma viagem longa, até mesmo eterna, na qual nos tornamos mais brandos, mais carinhosos e mais humanos.” Pág.116

Título: A Livraria Mágica de Paris
Título Original: Das Lavendelzimmer
Autora: Nina George
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Páginas: 308

Monsieur Perdu possui um barco ancorado às margens do rio Sena, em Paris, que ele próprio reformara, enchendo de livros e batizando-o carinhosamente de Farmácia Literária. O livreiro parisiense tem o dom de identificar qual o melhor livro para cada pessoa, como um remédio capaz de amenizar o sofrimento de suas almas.

“Queria tratar sensações que não são reconhecidas como doenças e que nunca são diagnosticadas por médicos. Todas aquelas pequenas emoções e todos os sentimentos pelos quais nenhum terapeuta se interessa, porque parecem pequenos demais e intangíveis. O sentimento que nos invade quando o verão chega ao fim. Ou quando percebemos que não temos mais uma vida inteira pela frente para encontrar nosso lugar no mundo. Ou a leve tristeza de quando uma amizade não se aprofunda e você percebe que a busca por um amigo de verdade não terminou. Ou a melancolia na manhã do aniversário. A saudade do ar da sua infância. Coisas assim.” (Pág. 26)

Ele nunca falhara com ninguém. Porém, havia uma única pessoa da qual não conseguia encontrar a cura. Ele próprio. Após uma desilusão amorosa que sofrera na juventude, Jean Perdu acabara se tornando um homem solitário e amargurado. Manon, sua amada, o abandonara há mais de duas décadas, deixando apenas uma carta, que devastado, jamais tivera coragem de abri-la. No entanto, sua nova vizinha, Catherine, encontra o antigo envelope e o convence enfim a ler. Completamente transtornado com seu conteúdo, Monsieur Perdu, com o objetivo de reparar os erros de seu passado, decide partir em seu barco-livraria pelas margens do Sena, na companhia de seus dois gatos, e um jovem escritor, Max Jordan, que atormentado por suas leitoras, enfrenta um bloqueio criativo e necessita desesperadamente de uma aventura.

” – Eu quero… procurar uma história – explicou Jordan, hesitante. – Porque dentro de mim… não tem mais nada. Não quero voltar pra casa até encontrá-la.” (Pág. 81)

Juntos, eles embarcam em uma jornada pelo coração de Provence, explorando os lugares, a gastronomia e a cultura francesa, enquanto questionam suas próprias existências.

resenha a livraria mágica de paris soul do mundo
Rota de viagem de Jean Perdu e Max Jordan

A Livraria Mágica de Paris me atraiu, inicialmente, por sua capa e título, mas me ganhou pela sinopse, ao alcançar rapidamente minhas expectativas logo nas primeiras páginas,  devido a conexão imediata que criei com o protagonista. É uma obra escrita com delicadeza, mas ao mesmo tempo intensa ao abordar as fragilidades do ser humano. Com personagens extremamente complexos, sua narrativa é em terceira pessoa ao trazer o ponto de vista de Jean Perdu, personagem principal e em primeira pessoa, enquanto temos acesso aos diários de viagem de Manon.

 Uma história sobre amor, amizade e perdas, envolvendo dramas amorosos, familiares e existenciais. É uma leitura melancólica, carregada de poesia e descrições que nos fazem querer largar tudo para nos aventurarmos de barco pela França.

A autora Nina George, nos faz refletir sobre como uma viagem pode ser transformadora na vida de alguém, independente de quem seja, ou qual seja sua idade. Nos instiga à respirar novos ares e conhecer novas pessoas, e como tudo isso pode ser uma inspiração em nossas vidas. Uma nova chance de existir e de nos redescobrir.  O ponto chave para mim, foi a forma como alguns personagens eram tocados através da leitura de livros, enquanto outros eram curados por meio de memórias escritas em cartas e rabiscos. Ou seja, colocar nossos sentimentos no papel têm também função terapêutica. E talvez essa tenha sido uma das principais razões para eu ter me identificado e me encantado tanto com a leitura.

Outro motivo  que gostaria de citar e que me fascinou, são as diversas referências literárias, recomendado sobretudo aos amantes de livros. Para mim, o livro foi inspirador, tocante e significativo. Indicado especialmente à aqueles que gostam de histórias nostálgicas, poéticas e carregadas de sentimentos em todas as páginas.

Mas tu vai sozinha?

 “Tu não tem medo de viajar sozinha?”, “Nossa, viajar sozinha deve ser um tédio”, “Guria, tu é doida de viajar sozinha, né?”, “Por que tu vai sozinha?”, “Ah, não tem ninguém pra ir contigo. Tadinha!”. Ouço as mesmas coisas, todos os anos, desde o dia que resolvi conhecer o mundo. Viajo desde que decidi fazer intercâmbio aos 18 anos e conto com orgulho que dos 32 países em que já estive, 17 deles eu estava sozinha. A verdade é que, de tempos em tempos, eu sinto a necessidade de curtir a minha própria companhia. Nem sempre em outro país ou estado. Nem sempre em um lugar novo. É apenas algo que faço por mim e por mais ninguém.

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Piz gloria, Schilthorn, Suíça

Quando comuniquei aos meus pais o interesse que tinha em fazer intercâmbio, logo após terminar o ensino médio, eles levaram o maior susto. De início, propuseram que eu fizesse valer o um ano que tinha antes de partir para o exterior, e provar de que eu era capaz de me manter sozinha. A partir desse ponto, procurei agências, trabalhei meio período e me tornei uma filha exemplar (nem sempre). No entanto, meu irmão tomou a mesma decisão quatro anos antes, também ao completar 18 anos, e ao contrário de mim, o que ele recebeu de todos os conhecidos, amigos e parentes, foi uma série de frases pré-ensaiadas, no estilo “Aproveite!”, “Você vai amar!”. Desde então, venho questionando porque, no meu caso, todos achavam que era loucura correr o mundo afora sozinha. Se era porque eu estaria só, se era inseguro, ou se era apenas puro preconceito.

Aos poucos, fui descobrindo que a segurança em uma viagem, pouco tem a ver com estar ou não acompanhada. Ela está nas decisões e precauções que tomamos.

Eu sempre investiguei muito os destinos em que estava me metendo antes de ir. Com uma breve pesquisa sobre o lugar, por exemplo, eu pude descobrir quais os bairros que deveria evitar em determinados horários, fez com que fosse possível criar um plano B em determinadas situações de insegurança/desconfiança que passei em minhas viagens. Isso tudo me ajudou a me sentir mais segura e mais confiante.
mas tu vai sozinha blog soul do mundo 1Ao citar todas as precauções que já tomei e ainda tomo em uma viagem, eu não pude deixar de lembrar das duas Argentinas desaparecidas no Equador, e o quanto aquilo foi usado contra mim para que eu não fosse mais viajar sozinha. Eu questionei minhas decisões diversas vezes após isso, e me perguntei por que havia pessoas dizendo que elas estavam sozinhas, quando, na verdade, andavam em dupla. E eu senti tristeza. Tristeza em descobrir que as duas mulheres não existiam sem um homem ao lado delas.

Após tantos destinos, conclui que os riscos e medos que passei e passo durante meus percursos, eu também sinto no aconchego de casa. Eu sinto na esquina, no trajeto até o trabalho, em qualquer lugar. Todos os dias, eu e o resto das mulheres do mundo, tomamos decisões em relação à nossa segurança, e a maioria delas são muito parecidas com as que tomamos em uma viagem. Não entramos em certa rua, não usamos certas roupas, não falamos com certas pessoas. Mesmo dentro de casa nos sentimos inseguras. Ou ninguém nunca foi alertada à não receber o homem da TV a cabo ou da Internet, enquanto sozinhas em casa?

Eu não tenho como contextualizar as variadas vezes em que me chamaram para tirar dúvidas sobre viagens. A maioria delas, eram relacionadas à segurança daqueles que estariam viajando sozinhos pela primeira vez. Perdi a conta das vezes que recebi mensagens, dessas mesmas pessoas, contando felizes, sobre o quão incrível havia sido a experiência. Eu sou capaz de citar uma série de motivos que poderiam te fazer querer viajar sozinha,  entre eles: curiosidade de conhecer outros lugares, liberdade para decidir tudo em relação à sua viagem, uma busca por autoconhecimento, poder (porque sim, nós podemos!) e sociabilidade, porque ainda não descobri algo nesse mundo que exercite tanto nosso lado social quanto viajar sozinha. Porém, pouco adianta citar todas as vantagens. A decisão de viajar sozinha ou não, deve partir de você e mais ninguém, somente quando sentir-se segura ou preparada para tal experiência.

Sete anos depois da primeira viagem, eu ainda enfrento os mesmos dilemas e preconceitos. Apesar de namorar há cinco anos, eu continuo, por vezes, seguindo sozinha. E agora sou questionada por uma série de outros motivos que envolvem o simples fato de eu ser mulher. ‘’Mas teu namorado não vai junto?’’, ‘’Ele não se importa que tu vá sozinha?’’, ‘’Nossa, meu namorado jamais aceitaria.’’ Ninguém perguntou se eu gostava de ir sozinha, se eu me importava, se eu, dona da minha vida, aceitava a condição de viajar sozinha.

Eu não sou uma viajante solitária, apenas não dependo de ninguém para ir comigo. Não dependo que o amigo tenha dinheiro, disponibilidade e queira ir para os mesmos destinos que eu, pois sei que jamais sairia de casa se assim fosse. Por vezes, foi apenas a necessidade de me redescobrir, e acreditar que aquela viagem solo iria me proporcionar descobertas sobre eu mesma. Não nego que já senti medo e insegurança. Mas posso afirmar que, em quase 80% das vezes, a sensação de liberdade era muito maior que duas juntas.

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Vulcão Osorno, Chile

Digo com a maior convicção que até o momento não conheço algo tão empoderador e libertador, do que desvendar esse mundo com nada, nem ninguém além de minha própria companhia.